Mensagem do Missionário R. R. Soares
Estudando o início do ministério de Elias, dentre as maravilhosas lições que o texto sagrado nos oferece, destacamos uma: a que nos ensina a continuar fazendo o que o Senhor nos orientou a princípio, até que outra revelação seja dada.
Elias, um dos moradores de Gileade, foi orientado pelo Senhor a procurar o rei Acabe pessoalmente. Este foi o sexto rei da recém-formada nação de Israel, a qual se havia separado do antigo reino de Israel, logo após a morte de Salomão, na insurreição cível que aconteceu nos dias do rei Roboão, filho de Salomão. Roboão foi um jovem sem juízo que, dando ouvidos aos amigos, desprezou o conselho dos idosos e, assim, viu o seu reino ser dividido em dois: o de Judá, composto pela tribo de Benjamim e a capital, Jerusalém; e o do norte, chamado de Israel, que englobava as dez tribos restantes e tinha Samaria por capital.
Acabe, casado com a ímpia Jezabel, estava institucionalizando em Israel
a idolatria como culto oficial. Incrível, mas, na terra do povo de Deus,
o Senhor não era mais invocado, mas, sim, o deus Baal, pois Jezabel
mandara matar todos os profetas de Deus. Elias – homem comum dentre
o povo, mas que servia ao Senhor – ouviu a voz de Deus, instruindo-o
a procurar o rei e repreendê-lo. Como sempre acontece, quando o Senhor
dá um ministério, Ele dá também as ferramentas, e, por isso, Elias recebeu
o poder de intervir nas leis que regem a chuva e o orvalho.
Acabe não quis dar ouvidos ao recado divino, e, por isso, Elias disse
ao rei que, naqueles anos, não choveria na terra, senão segundo a sua
palavra. Essa forte declaração deve ter produzido no incrédulo Acabe
uma grande gargalhada, e ele deve ter dito: “Quem este homem pensa que
é? Que fanático é esse que acredita ter poder para interferir na natureza?
Cada louco nesta terra...”.
Como, às vezes, é comum não chover por algum tempo, de início, o rei não deu importância ao fato. Entretanto, quando afirmaram a ele que, naqueles dias, em lugar algum de Israel havia chovido, o coração do rei começou a ficar preocupado.
Durante todo aquele tempo, Elias permaneceu no mesmo lugar, até que ouviu de novo a voz de Deus, dizendo-lhe: Vai-te daqui, e vira-te para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão. E há de ser que beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem (1 Reis 17.3,4).
A Bíblia não diz quanto tempo se passou até que a Palavra voltasse a falar com ele, como também não informa se, naqueles dias que antecederam a nova ordem divina, as pessoas começaram a responsabilizar o profeta pelas mortes e pelos prejuízos que estavam tendo com a seca – o que, provavelmente, aconteceu. Entretanto, o importante é ressaltar que, enquanto o Senhor não falou novamente, Elias permaneceu onde estava.
Obedecendo à ordem de Deus, Elias encontrou um esconderijo junto ao
ribeiro de Querite e lá ficou, sendo alimentado com pão e carne, pela
manhã e à tarde, pelos corvos. Naqueles dias, longe de tudo e de todos,
o profeta deve ter-se consagrado ainda mais ao Senhor e orado.
Dia após dia, Elias via o ribeiro secar. Provavelmente, ele lembrava
ao Senhor que já estava ficando difícil encontrar água potável, entretanto,
o profeta não recebia resposta alguma.
Certo dia, o ribeiro secou. Alguém mais afobado teria chorado, gritado e saído para procurar água, já que, sem tal precioso líquido, a vida torna-se impossível. Se Elias tivesse feito isso, todo o plano de Deus ter-se-ia desmoronado. Quem se desespera quando o ribeiro seca e, sem a permissão de Deus, sai em busca de algo – por mais necessário que seja – entrega-se nas mãos do inimigo.
Outra vez, a Palavra de Deus revelou-Se ao profeta: Então, veio a ele a palavra do SENHOR, dizendo: Levanta-te, e vai a Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente (1 Reis 17.8,9). O Senhor não disse a Elias onde poderia encontrar água, e o mandou caminhar, aproximadamente, 160km. Como era considerado o inimigo público número um de Israel e devia estar sendo caçado em todas as partes, o profeta deve ter caminhado somente à noite, longe de lugares onde havia pessoas habitando.
Em Sarepta, ele permaneceu até que veio nova orientação. Muitas vezes, após a instrução do Senhor, segue-se um silêncio, o que faz com que muitas pessoas se desesperem e, inquietas, comecem a tomar decisões que as levarão para longe da vontade de Deus. A lição aqui é a de que devemos continuar fazendo o que nos foi mandado, pois, quando chegar a hora de uma nova direção, Ele a dará.
O nosso Pai não é irresponsável e espera que sejamos sábios. Se Ele lhe disse que fizesse algo, faça e continue fazendo até que Ele entregue outra instrução.
Certa vez, eu, um de meus filhos e um pastor desembarcamos no aeroporto
de Nova Orleães (Louisiana - EUA), que ficava um pouco afastado da cidade.
Aluguei um carro e perguntei ao atendente da locadora como poderíamos
chegar ao centro de Nova Orleães. Ele disse: “Vire à esquerda e siga
as placas”. Logo a seguir, havia uma placa orientando-nos a entrar em
uma certa rodovia.
Após rodar mais de 20km naquela estrada – sem que houvesse qualquer
outra placa indicando-nos que estávamos no rumo certo –, meu filho e
o pastor começaram a ficar impacientes e disseram-me: “Você não acha
que devemos pegar aquela estrada que corta esta rodovia, para ver se
chegaremos lá?” Eu respondi: “Não! As autoridades são responsáveis.
Elas colocaram aquele anúncio para mostrar o caminho, e temos de crer
nelas. Quando chegar a hora de sairmos para a direita ou para a esquerda,
elas terão posto outra placa orientando a nova direção”. Andamos mais
uns 10km e chegamos ao nosso destino.
Então, continue fazendo o que o Senhor mandou até haver nova direção!
Em Cristo, com amor,
R. R. Soares
